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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Resenha - Kill All Enemies

 No meio da banca de queima de estoque, em meio a vários outros livros, um me chamou atenção. Estava meio amassado, sujo em um lado, e a ilustração da capa não era muito convidativa. Mas o título gritava “Kill All Enemies”. Bem, não custava nada ler a sinopse:


Se você tem 15, 20, 45 ou 70 anos e está com este livro nas mãos, você está com sorte. Porque este é um belo livro, capaz de arrepiar, emocionar e fazer pensar. Estamos falando de emoção pura, à flor da pele, provocada pelas histórias de Billie – a menina sem pai nem mãe, boa de briga, que enfrenta o mundo na base da porrada –, de Rob – o gordinho boa-praça, fã de heavy metal, atormentado pelo padrasto em casa e pelo bullying na escola – e de Chris – o cara rebelde, em pé de guerra com a escola e que odeia fazer lição de casa. Depois de conhecer o dia a dia desta turma, é difícil imaginar como tantas coisas erradas, tanta tristeza, revolta e angústia cabem nos corações de pessoas tão jovens. Eles estão perdidos em meio a conflitos sem saída: pais controladores ou violentos, mães ausentes ou alcoólatras, mais preocupadas com namorados vagabundos do que com os filhos.
Bastou ler a orelha para me fazer comprar este exemplar um tanto maltratado – e custou somente 9,90 dilmas!
Não comecei a ler logo que voltei pra casa, mas alguns dias depois resolvi começar. E quando comecei... vocês já sabem, não consegui largar!

O  livro conta a história de três adolescentes cujas vidas já ultrapassaram o limite do que um jovem normal consegue aguentar. Dor, sofrimento, impaciência, acusações, eles passam por tudo isso, e aos poucos nós conseguimos enxergar esses personagens à nossa volta, na nossa vida, e num instante paramos pra pensar na forma como nós enxergamos esses seres que suportam tanta coisa e são julgados por tantos outros. Mas enfim.

O livro, do autor Melvin Burgess, é dividido em três partes, e cada capítulo é narrado por um personagem. A maioria deles é narrado pelos três protagonistas, mas alguns por outros personagens, necessários pra continuidade da narrativa. A escrita do autor é direta, sem muitas enrolações, e bem real, eu diria. O livro vai acompanhando o dia a dia dos personagens, e aos poucos você começa a perceber como eles estão relacionados entre si.

Uma coisa engraçada foi que, aquela página de agradecimentos do autor estava no fim do livro, mas eu não havia notado. E quando eu já estava no ultimo capítulo, eu pensei que haveria outro, e quando virei a página – eram os agradecimentos! E omg, morri aos poucos, porque queria continuar lendo, queria mais capítulos, mais de tudo!!!

Finalmente, este livro foi uma das leituras mais agradáveis que eu tive esse ano, com uma história onde o humor e a tristeza estão na medida perfeita, e no fim, mexe com você. Super recomendo, pra qualquer idade. Independente do estilo que você gosta, acho que irá gostar bastante!

É isso, então! Um grande beijo, até a próxima!

Obs.: A capa original é tão bonita! Não entendi porque essa brasileira ficou tão estranha!

Obs.²: Em vários momentos eu lembrei da série de TV britânica Skins, e nos agradecimentos o autor revela que originalmente, esta história seria para um programa de TV também. Não pesquisei sobre isso, mas será que seria uma possível concorrente de Skins?


Obs.³: As histórias vivenciadas são baseadas em histórias reais, cujos jovens que realmente passaram por isso inspiraram a criação dos personagens.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Resenha - O Palácio da Meia Noite

Toda vez que eu pego um livro do Zafón pra ler eu sei que serei surpreendido. E eu sempre estou certo. É incrível a capacidade desse autor de criar mundos tão reais, e tão diferentes do que estamos acostumados a ver em livros. E mais uma vez, o mistério e a fantasia se misturam resultando num livro extasiante, repleto de segredos e aventura.

O livro começa contando como dois bebês gêmeos são separados logo após o nascimento, resgatados por um homem que foge de um vilão tão sombrio quanto Zafón consegue criar, numa perseguição pelas ruas de Calcutá, na Índia. A menina, Sheere, fica com a avó, e o menino, Ben, é entregue a um orfanato (não se preocupe, não é spoiler), e crescem longe um do outro até completarem 16 anos. E é aí que a aventura recomeça. 

Uma das coisas que eu mais gosto nos livros do Carlos, são seus personagens jovens e aventureiros. Mas diferente dos outros livros dele que já li, "O Palácio da Meia-Noite" conta não só com um ou dois personagens assim, mas com oito! Todos eles são membros da sociedade secreta Chowbar Society, criada pelos moradores do orfanato e que se reúnem numa velha mansão em ruínas, o Palácio que dá nome ao livro. Cada um deles tem sua personalidade e suas características tão bem construídas, que te cativam e te convencem. 

E há também o vilão, que segue o mesmo estilo dos outros vilões do autor. Desta vez o personagem tem um poder sobrenatural muito interessante, e as cenas dele são tão incríveis! Mas acaba que seu destino ao longo do livro remete muito ao que aconteceu com o vilão de As Luzes de Setembro, do mesmo autor. 

Zafón tem o dom de criar histórias de mistério e fantasia em universos tão comuns, o que dá ao leitor aquela sensação de também querer ser um herói. Porque os seus heróis são "críveis", assim como toda a situação que os envolve. Já no enredo, ele é mestre. É capaz de te levar por um caminho por todo o livro e no fim te surpreende com coisas que você nunca ia imaginar que aconteceriam.

Enfim, esse livro é perfeito pra quem gosta de histórias de mistério, e se fosse um filme seria uma aventura imperdível pra qualquer idade!

A edição brasileira foi publicada pela Suma de Letras, que também publica os outros livros do autor, e se eu fosse você, correria pra livraria pra comprar seu exemplar, garanto que não vai se arrepender!

domingo, 11 de janeiro de 2015

Resenha - Quando Cair o Verão & Outras Histórias

Eu comprei este livro há alguns meses, e mesmo sendo fã da série britânica Doctor Who, sempre o deixava no final da fila de leitura. Mas depois de tanto enrolar, tirei minha cópia da estante e li tudo de uma só vez!

Essa edição brasileira é da editora Suma de Letras, e conta com três histórias, envolvendo alguns personagens da série de TV. 

A primeira história chama-se “Quando Cair o Verão” e é escrita por Amelia Williams, personagem companion do Doctor na 5ª, 6ª e 7ª temporada, mais conhecida como Amy Pond. “Inspirado no episódio The Bells of Saint John, Quando cair o verãonarra a história da jovem Kate, que passa suas férias na vila litorânea de Watchcombe e está determinada a aproveitar ao máximo sua última semana de folga. No entanto, ao descobrir uma misteriosa pintura chamada “O Senhor do Inverno”, ela viverá aventuras que jamais poderia ter imaginado.” – sinopse da editora.
Esta primeira história é bem leve, com um enredo bem interessante, porém com uma narrativa pouco rica. Apesar disso, é uma aventura que qualquer criança adoraria.

A segunda história tem como protagonista a personagem Melody Malone, ou River Song, para os íntimos, e chama-se O Beijo do Anjo. “Inspirado em The Angels Take Manhattan, a detetive particular Melody Malone recebe uma visita inesperada: o astro de cinema Rock Railton. Ele acredita que alguém quer matá-lo e, quando menciona “o beijo do anjo”, Melody aceita o caso. E com o passar do tempo, a detetive logo descobre que o preço da fama é maior do que ela poderia imaginar.” – sinopse da editora.
Aqui sim, temos uma aventura digna de um episódio  próprio na série. River, ou melhor, Melody Malone, é fielmente tratada no livro como é na série, capaz de seduzir até mesmo o leitor. E o enredo, toda a trama que se desenvolve, é muito bem construída. Uma história de detetive que prende o leitor até a solução do caso.

Já a última história, traz não só um, mas três personagens da série. Madame Vastra, Jenny e Strax são os heróis de “O Demônio na Fumaça”. “Narrado por Justin Richards e inspirado pelo episódio The Snowmen, é um thriller no qual dois garotinhos, cansados de limpar a neve do pátio do orfanato, decidem fazer um boneco de neve — e se deparam com um mistério brutal. Fascinados e horrorizados, testemunham quando o boneco de neve começa a sangrar. A busca por respostas levará Harry, um dos meninos, à aventura mais perigosa e empolgante de sua vida.” – sinopse da editora.
Esta, das três, é a minha história favorita. Mais uma vez os personagens são descritos exatamente como na série, e apesar de toda a tensão do mistério principal, sempre tem um toque de humor (muitas vezes com o Strax envolvido) que dá uma quebra no clima. A cada parágrafo que eu lia eu imaginava como seria um spin-off da série de TV com estes personagens, e eles acabaram se tornando os meus preferidos da série. Aliás, eu li esta história toda de uma só vez, foi impossível largar o livro e eu fiquei naquele dilema – queria ler mais, mas não queria que acabasse! Hahah

Enfim, o único problema deste livro é que as histórias são muito curtinhas, e sempre te deixa com mais vontade de ler! É perfeito para os fãs da série – os whovians – mas também é uma leitura bem agradável pra quem não é. E quem sabe, lendo estas histórias o leitor que não conhece acaba se interessando pelo seriado?

P.S.: O livro também conta com uma introdução da Amelia, e uma entrevista com ela também. Para um leitor desavisado, pode não ter nada demais, mas para quem conhece o programa de tv, contém algumas informações especiais sobre essa personagem tão querida :3 Não vou falar nada, pois pra alguns pode ser spoiler, mas garanto que é bem emocionante, quase que te convence que eles são reais. É bem legal!

Por hoje é só, em breve eu volto com mais resenhas!

sábado, 8 de novembro de 2014

Resenha - Assassinato no Expresso do Oriente

Apesar de sempre ouvir falar (muito) bem dos livros da autora Agatha Christie, nunca tinha lido um sequer. Nem mesmo seus mais famosos clássicos, que marcaram a literatura no mundo. Mas isso mudou há algumas semanas, quando encontrei essas novas edições LINDAS lançadas pela Editora Nova Fronteira. São novas edições em capa dura, com ilustrações belíssimas (só na capa, óbvio) que chamam a atenção na mesma hora. Impossível passar pela estante e não notar os livros. E por essa razão eu comprei o “Assassinato...”, já que era o que mais eu conhecia (e que também foi inspiração para um episódio da nova temporada de Doctor Who).

Neste livro, temos como protagonista Hercule Poirot, detetive que também habita outras histórias de Agatha, numa longa viagem de trem. Após algumas paradas, finalmente o Expresso inicia sua jornada através do frio insuportável, tendo como passageiros pessoas das mais diferentes classes, etnias e profissões. Mas com a tempestade de neve, a viagem é impossibilitada de prosseguir e o trem é obrigado a parar. E sendo isto insuficiente para a tensão de todos, na manhã seguinte à parada um dos passageiros é encontrado morto em sua cabine. O dono da companhia ferroviária logo pede ajuda ao detetive, seu amigo, para que o crime seja solucionado e o assassino, preso. Mas pegar um criminoso não é tão fácil quanto parece...

A escrita de Agatha é indescritível. Ela possui uma simplicidade e uma riqueza, que me prenderam nos primeiros capítulos. As informações e detalhes são lançados para o leitor no tempo certo, não confundindo-o mas, pelo contrário, viciando-o à história. As pistas sobre o crime são algo que nos ajudam a formular nossas próprias teorias, mas cada vez que pensamos saber quem é o Assassino, a autora apresenta um novo ponto de vista que traz outras várias possibilidades.

Por fim, o encerramento do caso é chocante. O final foi um dos mais surpreendentes que eu já li, me deixou boquiaberto. E com certeza eu vou ler mais livros dela! Mas houve uma coisa que me decepcionou neste livro: curto demais! Quando percebi já tinha devorado tudo!


Então, leitura recomendada a todos, até mesmo pra quem não curte muito histórias de detetive!

domingo, 14 de setembro de 2014

Resenha - Além do Planeta Silencioso, de C. S. Lewis

Sabe aquelas edições de livros que nunca tem uma sinopse na contracapa ou na orelha, mas sim um monte de notas de jornais falando sobre o livro? Então, eu DETESTO isso! Pior ainda é quando o livro tá no plástico ainda e não dá nem pra dar uma espiada nas primeiras páginas pra saber se eu vou curtir ou não a história...

Bem, isso foi exatamente o que aconteceu comigo na semana passada. Num passeio de praxe pela livraria, decidi comprar alguma coisa (faz um tempo que eu não compro nenhum livro) e dessa vez decidi sair da minha zona de conforto YA (livros para jovens adultos) e comprar algo diferente do que estou acostumado a ler. Como não quis me arriscar muito, fui por autores que já conhecia, e encontrei na prateleira este livro que há muito tempo eu via lá, mas nunca realmente quis comprar. C. S. Lewis é autor da tão famosa e bela série As Crônicas de Nárnia, e também era amigo de J. R. R. Tolkien, autor da trilogia O Senhor dos Anéis, então resolvi levar o primeiro volume da Trilogia Cósmica, porque além de tudo eu sou bastante fã de ficção cientifica.
Comecei a ler no mesmo dia e me envolvi no livro de uma maneira indescritível. A narrativa de Lewis é tão bela e incrível que me prendeu logo nos primeiros capítulos. Mas eu não o devorei de uma vez só. Ao notar que o livro era realmente muito bom, eu decidi ler aos poucos, saboreando cada momento da leitura.

Mas vamos a historia. “Além do Planeta Silencioso” conta a história de Ransom, um filólogo (quem estuda uma língua em todos os seus aspectos e também os escritos que a documentaram) que está numa excursão a pé e, após caminhar uma longa distância sem encontrar nenhuma pousada ou qualquer outro lugar para passar a noite, cruza caminho com uma senhora aflita pois seu filho, que trabalha em uma casa ali perto, ainda não voltou do serviço. A pedido da mulher, Ransom então vai até o local, com o desejo deão chegar lá, pedir abrigo. Porém, quando entra na mansão decrépita, acaba reconhecendo seus dois moradores do tempo de faculdade em uma situação muito estranha com o filho da moça da estrada. Os dois antigos companheiros então, ainda agindo estranhamente, oferecem abrigo a Ransom, que sem perceber, é dopado e sequestrado. Quando o homem acorda, já não há mais como voltar atrás. Ele está numa espaçonave em direção ao planeta Malacandra, que mais tarde descobrimos ser Marte, e com o passar do tempo, durante a viagem, descobre que os dois colegas pretendem entregá-lo a algum ser estranho do planeta, como uma espécie de sacrifício. Ransom fica apavorado com esta ideia, mas quando chega finalmente a Malacandra, acaba envolvendo-se em situações extremamente inusitadas – que vocês só vão descobrir se lerem o livro! HAHAHA

Eu gostei muito deste livro, muito mesmo! Eu nunca tinha lido nada do gênero e nenhum outro livro de Lewis a não ser Nárnia, e fiquei muito satisfeito com o resultado. O livro não segue uma linha só de aventura. Apesar de ser sobre um humano descobrindo um novo planeta, o autor debate várias questões sobre o ser humano em si, questões bem filosóficas até, e à medida que eu lia, eu realmente parava pra pensar nesses assuntos expostos. E Lewis também consegue colocar de uma forma muito sutil um pano de fundo cristão na história. Pra quem não sabe, o autor era cristão e já fez isso também nas Crônicas de Nárnia. Mas diferente deste, no “...Planeta Silencioso” ele coloca esses princípios religiosos utilizando as características do planeta, em seus costumes e organização, tão diferentes do da Terra. Mas arrisco dizer que, se o leitor não tiver conhecimento de alguns ensinos religiosos, talvez nem note isso no livro, de tão sutil que é.

Enfim, se vocês tiverem oportunidade, leiam este livro. Vale muito a pena, é divertido, faz a gente pensar, e também é muito gostoso pra só passar o tempo. Eu mesmo pretendo comprar logo os outros dois volumes da trilogia, o mais rápido possível!
Então é isso, espero que tenham gostado, e comentem se vocês já leram ou se tem vontade de ler!


Confira abaixo algumas diferentes capas de antigas edições do livro:

  

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Resenha - O Verão Que Mudou Minha Vida

A primeira coisa que me chamou atenção neste livro foi a capa. Eu estava na livraria, apenas olhando como sempre e encontrei este livro, com três jovens e um sol brilhando atrás. Eu sou adepto do movimento Não Julgue Um Livro Pela Capa, mas é fato que quando ela é linda, há mais chances de você tirá-lo da prateleira da livraria e comprá-lo. Interessante também é que eu não gosto na verdade detesto de fotografias com o rosto dos personagens na capa, mas este foi a maior de todas as exceções. E eu não poderia ter feito um acerto tão grande ao comprá-lo.

O Verão que Mudou Minha Vida conta a história de Belly, uma menina que mede sua vida pelos verões. Ela é apaixonada pela época, quando viaja com seu irmão e sua mãe pra casa da melhor amiga desta, Susannah. Lá estão também os filhos dela, Conrad e Jeremiah, meio que irmãos-postiços de Belly e seu irmão Steven.

O detalhe que faz toda a diferença é que Belly sempre foi apaixonada por Conrad, o mais velho. A garota é simplesmente encantada pelo garoto e seu sorriso malicioso, e por anos guardou isso na esperança de que ele olhasse pra ela da mesma forma – o que nunca aconteceu. Mas neste verão as coisas serão diferentes. Belly está prestes a completar 16 anos e parece que nos meses antes do verão seu corpo finalmente começou a trabalhar pra, em vez de bonita, deixá-la linda. E quando ela chega à casa de praia, não só Conrad, mas também Jeremiah, notam isso, percebem que ela não é mais a menininha de antes. E se antes Belly era proibida de sair com os meninos, agora ela vai agir querendo eles ou não.
O enredo principal, a premissa do livro, já é boa. Aliado com a escrita de Jenny, fica melhor ainda. A autora desenha os fatos que estão ocorrendo de um jeito simples e ao mesmo tempo brilhante, sempre deixando um gancho pro próximo capítulo. E uma coisa que eu gostei muito foi a presença de flashbacks, retratando alguns verões passados, explicando melhor o que ocorreu antes, quando a protagonista era mais nova, e talvez justificando o por quê dela agir de tal forma agora.

Porém, o que mais me agradou no livro de longe foi a forma como a autora retratou a figura do adolescente. Normalmente, nos outros livros, vemos meninas que amam incondicionalmente meninos que já são autossuficientes, ambos no cio.

*cof cof Bella e Edward cof cof*

Mas neste não. Jenny mostrou como uma menina adolescente tem o desejo de já ser vista e tratada como adulta, mas que ainda age, às vezes, como uma criança (detalhe pra todas as cenas em que ela mostra a língua pros meninos). Esse retrato que a autora fez ficou mais próximo da realidade, e o leitor compreende tudo o que está acontecendo, as dúvidas, o ciúme e o medo, comuns entre tantos adolescentes.

"Às vezes é como se as pessoas fossem um milhão de vezes mais belas na nossa cabeça, como se as víssemos através de uma lente especial. Mas, por outro lado, se é assim que as vemos, talvez seja assim que elas realmente são."

Esta característica também está presente não só em Belly, mas também nos outros personagens jovens, principalmente no momento em que Belly percebe que o Conrad está agindo como um babaca. Conrad, embora não seja meu personagem preferido, é muito bem construído e, assim como a protagonista, por mais que queiramos dar um basta em relação a ele, sempre queremos saber o que ele está pensando.
Por fim, o livro de Jenny Han é muito mais do que um romance de verão. E quanto mais eu lia, mais eu percebia que muitas outras coisas ainda iriam acontecer. O livro é narrado pela própria Belly, em primeira pessoa, e talvez por isso demoramos a perceber o que está acontecendo em volta dela e de sua paixonite. A trama de sua mãe e de Susannah, que não está nada bem este verão, é muito densa e abre margem pro leitor querer continuar a ler. 

Isso aliás é possível, tendo em vista que este é o primeiro de uma trilogia – e eu só descobri isso quando estava no final do primeiro livro hueh.

No mais, é um livro ótimo, fácil e rápido de ler e, impressionantemente, não consigo encontrar nenhum defeito pra ele. Com certeza vou ler os livros seguintes. 

sábado, 17 de maio de 2014

Resenha - Trilogia As Peças Infernais

Trilogia de Cassandra Clare
1. Anjo Mecânico
2. Príncipe Mecânico
3. Princesa Mecânica
Publicado no Brasil pela editora Galera Record



Eu ganhei o primeiro livro desta série, Anjo Mecânico, em um aniversário. Como sempre, fiquei encantado com a capa e seu brilho, assim como sempre admirei a capa dos livros da série Os Instrumentos Mortais. Porém, nada sabia sobre o enredo da história, nem li a sinopse ou outras resenhas para saber a opinião de outras pessoas sobre o livro. Na época, eu estava obcecado pelo livro A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, que também havia ganhado no mesmo aniversário. Por conta desta louca obsessão pelo livro de Zafón, guardei o Anjo Mecânico na estante e lá ele ficou por uns vários meses (como sempre outros títulos furando a fila de leitura). Até que nas férias de verão eu finalmente peguei o Anjo pra ler. E olha...

O primeiro livro começa em 1878, com Teresa Grey, carinhosamente Tessa, que após perder a tia com quem morava em Nova York, vê-se sem nada e sem ninguém, obrigada a ir ao encontro de seu irmão na Londres Vitoriana. No entanto, quando chega ao destino é recebida por duas mulheres, as Irmãs Sombrias, que a levam como prisioneira. Durante seu período em cativeiro, Tessa descobre ser dotada de um poder que nunca havia imaginado ter, e também é preparada (obrigada, né) para casar-se com o misterioso Magistrado. Tessa não tem noção nenhuma do que está acontecendo até que enfim é resgatada e levada para o Instituto dos Caçadores de Sombras.

Perdoem-me se neste breve resumo eu revelei algum spoiler, mas não é nada fatal.

Chegando ao Instituto, a história realmente começa e os segredos e mistérios começam a desenrolarem-se. E é neste Instituto que encontramos os personagens principais que vão seguir conosco pelos dois livros seguintes da trilogia.
Aqui então, parabenizo a autora Cassandra Clare pela construção de seus personagens. Cada um com sua peculiaridade, seus defeitos e qualidades. Alguns um tanto clichês, como a menina rica mimada e o bad boy bonitão, mas outros extremamente cativantes, como o violinista companheiro, a mulher no poder subestimada e o feiticeiro mais perfeito do universo, estes últimos meus preferidos.
Em contraponto, a escrita da autora foi difícil de me convencer. Repleto de piegas românticos, os três livros são recheados de dramas causados pelo – óbvio – triangulo amoroso, que mesmo sendo um tanto diferente dos triângulos que estamos acostumados a ver, entediam ao máximo. Enquanto isso, a protagonista da história faz visitas à biblioteca do Instituto e enquanto a moça lê os clássicos da época, a autora esforça-se para escrever um livro que se assemelha a estes clássicos, com dúvidas amorosas, incertezas e fragilidade, envoltos em vestidões e criados que apaixonam-se pelos patrões.
Sinceramente, se enxugássemos todo o mimimi da Tessa, os livros perderiam umas 200 páginas, e olhe lá...

Contudo, o universo em que se passa toda a história é o mesmo da outra série que não termina nunca, Os Instrumentos Mortais, com seus Caçadores de Sombras tatuados, demônios, fantasmas e feiticeiros. Para quem já leu a série pioneira, esta trilogia envolverá o leitor facilmente, mas quem nunca ouviu falar em estelas, iratzes e afins, pode ficar um pouco confuso no princípio (assim como eu).

Mas o grande trunfo da autora nesta obra é o ultimo livro, Princesa Mecânica. Os draminhas românticos ainda estão presentes, mas percebe-se a dedicação da Cassandra Clare em fazer um desfecho digno para sua trilogia. As tramas nos sugam pro livro, as cenas e diálogos prendem nossa atenção e mais uma vez, os personagens cativam o leitor de uma maneira singular. O último livro, aliás, é o meu preferido da trilogia.
A cada capítulo que passava, eu esquecia todos os pontos negativos e me atentava a cada acerto da autora, a cada cena de batalha bem escrita, a cada diálogo intenso, discussões entre os personagens e até mesmo em cada ponto e vírgula e seus lugares nas frases. Incrível.
E digo com veemência que a Cassandra Clare escreveu o MELHOR FINAL DE LIVRO DO MUNDO! Esqueçam tudo, o que esta autora fez nos últimos capítulos foi o desfecho mais sensacional que eu já li! E não há discussões!

Enfim, a série As Peças Infernais é uma ótima opção pra quem procura entretenimento de fantasia e romance, e se você começar a ler mas não gostar, tenha paciência, porque o final é digno e vale muito a pena!


P.S.: Jem Castairs é o melhor personagem dos livros e do mundo! #TeamJem até o fim!

quinta-feira, 27 de março de 2014

Resenha - Maze Runner: Correr ou Morrer


“Ao acordar dentro de um escuro elevador em movimento, a única coisa que Thomas consegue lembrar é de seu nome. Sua memória está completamente apagada. Mas ele não está sozinho.

Quando a caixa metálica chega a seu destino e as portas se abrem, Thomas se vê rodeado por garotos que o acolhem e o apresentam à Clareira, um espaço aberto cercado por muros gigantescos. Assim como Thomas, nenhum deles sabe como foi parar ali, nem por quê. Sabem apenas que todas as manhãs as portas de pedra do Labirinto que os cerca se abrem, e, à noite, se fecham. E que a cada trinta dias um novo garoto é entregue pelo elevador. Porém, um fato altera de forma radical a rotina do lugar - chega uma garota, a primeira enviada à Clareira. E mais surpreendente ainda é a mensagem que ela traz consigo.

Thomas será mais importante do que imagina, mas para isso terá de descobrir os sombrios segredos guardados em sua mente e correr, correr muito.”




Com uma sinopse como esta, fica difícil não se interessar pelo livro, e assim foi comigo. Comprei o primeiro volume da série Maze Runner, do autor James Dashner, e simplesmente devorei! Não houve um momento sequer em que eu sentisse vontade de largar o livro e não descansei enquanto não terminei.


O livro narra a história de Thomas, que chega neste lugar misterioso onde só vivem garotos, a Clareira, localizado entre os muros de pedra de um labirinto gigantesco. Sem lembrar de nada além de seu nome, Thomas só tem uma certeza – quer ser um Corredor, um dos jovens que saem todo dia pela manhã com o objetivo de mapear o labirinto. Porém tudo muda quando chega uma garota, a primeira e única no lugar e, a partir daí, tudo muda.


Com uma narrativa contando sempre o que está acontecendo com o protagonista, o autor leva o leitor pra dentro do labirinto e muitas vezes eu mesmo me senti lá dentro, correndo por entre os muros de pedra infinitos.


Os personagens são encantadores, e os Verdugos, monstros que rodeiam o labirinto durante as noites, são de arrepiar. O leitor consegue sentir em si mesmo o terror, a angústia que os personagens sentem inclusive a tensão e o suspense que permeia todo o livro.


Com um livro desses, fica difícil não pedir mais! Por isso que a série Maze Runner, publicada no Brasil pela editora V&R, conta com mais quatro volumes seguintes e em setembro chega aos cinemas com uma adaptação pelos estúdios da 20th Century Fox, dirigido por Wes Ball e com Dylan O’Brian, Kaya Scoledario, Will Poulter e Thomas Brodie-Sangster no elenco.



Vamos torcer pra setembro chegar logo e, até lá, ler os outros volumes dessa série magnífica!

domingo, 16 de março de 2014

Resenha - Os Diários de Nick Twisp

No dia primeiro de julho de 2013, a loja Fnac de um shopping no Rio preparou um “Bota-fora” com livros e DVD’s a preço de banana. Literalmente. Eu encontrei livros ótimos por 2 reais, 5 reais... O mais caro que eu comprei custou R$ 9,90 e é o objeto da resenha de hoje: Os Diários de Nick Twisp, do autor americano C. D. Payne.
Lendo rapidamente a sinopse da contra capa do livro pra saber do que se tratava, encontrei o seguinte:

“Nick Twisp tem 14 anos e, apesar de intelectualmente avantajado se comparado aos ogros do sistema educacional público, é virgem. Ao conhecer a bela, inteligente e irônica Sheeni, ele testemunha a derrocada de sua vida de filhinho de mamãe... Para conquistar A Mulher da Sua Vida, Nick enfrentará um caminhoneiro e um policial nojentos, um poeta afetado, a polícia federal e inúmeros processos na justiça... Mas, por Sheeni, tudo vale a pena.”

Foi o suficiente pra eu me interessar e compra-lo, já imaginando dar boas risadas durante a leitura. E assim foi feito, em julho de 2013. E somente agora, em março de 2014 eu finalmente li a história de Nick Twisp!
Um dos fatores que contribuiu pra isto (além do fato de ter mais uns 10 livros sem ler na estante) foi a edição, o livro em si, a matéria. Com 600 páginas, aquele volume gigante ficou na estante e toda vez que eu pensava em pegar pra lê-lo, desistia, pensando que eu demoraria pra ler e temendo um cansaço.
Eu não podia estar mais errado.
A partir do momento que eu peguei o livro pra ler, eu não consegui largar enquanto não terminasse! O livro é tão engraçado, tãaaao engraçado que várias vezes eu comecei a rir no meio de várias pessoas porque não consegui evitar! E o que antes aparentava ser um livro gigante levou apenas três dias pra ser finalizado.
Em se tratando da história, o livro narra o dia a dia de um adolescente no período em que os hormônios adolescentes estão em erupção, assim como as espinhas. E quando o namorado asqueroso de sua mãe divorciada resolve levá-los pra um acampamento no verão, Nick Twisp conhece Sheeni Saunders, o Amor de Sua Vida, a Mulher de Seus Sonhos. E para resolver o problema da distancia entre os dois, Nick inicia uma jornada de confusões além da capacidade humana, tudo pra ficar ao lado de sua namorada e, é claro, deixar pra trás sua antiga vida de adolescente virgem.
O que mais encanta neste livro são os personagens. C. D. Payne constrói cada um de forma incrível, com suas peculiaridades e diferenças, que ajuda bastante a fluir a leitura.
A edição brasileira, gigantesca e com 600 páginas, é divida em três partes, já que na versão original americana foram publicados três livros separados, sendo Os Diários de Nick Twisp o título da trilogia.

Enfim, é um livro leve e super engraçado, ótimo pra quem quer dar uma relaxada de livros mais densos e tramas complicadas e recomendado pra todos os tipos de leitores. Garanto a você que não vão faltar risadas e várias vezes vai ficar boquiaberto com as confusões de Nick!

P.S.: O livro, publicado originalmente em 1993, ganhou uma adaptação para o cinema em 2009. Dirigido por Miguel Arteta, conta com os atores Michael Cera e Portia Doubleday como Nick e Sheeni.
Abaixo, uma foto da capa do primeiro volume da edição americana.